Escrever o Rio Top 10, pra mim, foi muito difícil por dois motivos. O primeiro é porque minha família é de lá e visito a cidade desde meus 8 meses de vida como “moradora”. Segundo porque o Rio é meu refúgio, minha segunda casa e todo ano – pelo menos eu tento! – vou pra lá. Só que raramente faço coisas que os turistas fazem.

Mas fui desafiada pelos leitores para falar sobre os 10 locais que estão na minha lista do que fazer no Rio. Demorei bastante pra escrever este artigo, pensando em como começaria a falar da minha segunda casa. Difícil demais!

Como pago minhas promessas, resolvi escrevê-lo saindo das atrações clichês – como Cristo e Bondinho –, apenas contando as 10 principais coisas que eu amo fazer no Rio. Não está na ordem de preferência, mas são 10 coisas que não deixo de fazer quando estou por lá.

Todas as informações sobre o Rio de Janeiro, você encontra aqui!

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1. Centro Histórico

Uma parte da minha família mora na Tijuca (zona norte) e é onde eu passo a maior parte da minha estada. A Tijuca é minha segunda casa! Geralmente chego pelo Aeroporto Santos Dumont e meus primos vão me buscar. O caminho do aeroporto à Tijuca é exatamente o centro do Rio. Olho pelas janelas do carro e ali, naqueles 15-20 minutos, vejo uma parte do centro histórico e já me emociono. Sempre digo em pensamento “olá, de novo, Rio!

Sempre passeio pelo centro atenta às belezas e história daquele lugar, mas nunca havia feito um tour completo para saber dos guias locais o que o Rio tem de diferente do que eu já sabia. Em dezembro de 2016, resolvi fazer o free walking tour e vou contar o que achei.

Aprendi e vi coisas que antes eu não sabia como: fotos do Rio antigo; o porquê de tais nomes e ruas; entrei no Paço Imperial; e vi o interior de igrejas que antes só via por fora. Foi fantástico! E recomendo fazê-lo, mesmo para quem conhece o Rio e, principalmente, para quem não conhece.

Free Walking Tour no Rio

Fiz o passeio pela empresa Free Walker Tours, mas uma questão me decepcionou muito durante o walking tour. Acho que os brasileiros não entenderam o conceito desses passeios. Já fiz o passeio por diversos países e tem até um post sobre ele aqui no blog (confira aqui!). A ideia é exatamente essa: pagar o quanto pode ou o quanto acha que vale.

Mas aqui no Brasil – ou pelo menos o que fiz no Rio – a ideia é bem diferente! O passeio começou com o guia falando assim:

— Costumo fazer esse tour em espanhol, raramente faço em português. Desculpa se esquecer-me de algo. Ah, só para vocês saberem, se esse tour fosse privado, eu cobraria por pessoa R$40 a hora.

Nesse momento eu pensei em desistir, mas não o fiz para poder contar aqui no blog. Escolhi em português, para ver exatamente isso: como eles agiriam com os próprios brasileiros. Temos na mente que turistas são os que falam inglês ou espanhol, mas nunca que os brasileiros também são.

Resumindo: éramos 4 pessoas – eu, minha prima carioca e duas coreanas que estavam aprendendo português no Paraná. Durante o passeio ele ressaltou várias vezes o valor que deveríamos pagar. Isso foi me irritando tanto, que pensei em desistir em vários momentos. No final, paguei só R$10. A verdade é que não queria pagar nada, mas como sei que é o trabalho dele – e me importo com isso – paguei. Pagaria o dobro ou o triplo se ele não tivesse sido tão mesquinho…

Fora esse pequeno detalhe, o centro histórico do Rio definitivamente está nas minhas principais atrações de lá. Vá e surpreenda-se com tanta história e beleza.

É perigoso?

Como qualquer outro centro de cidade brasileiro. Fique atento! Não vá com joias, bolsas caras e um monte de dinheiro na carteira – vale também pra quem for fazer o tour guiado. Passe protetor solar, leve boné e óculos escuros. Roupa e sapato confortáveis, porque você vai bater muita perna!

Se estiver pelo centro, não deixe de passar pela Confeitaria Colombo e conhecer seu interior. Além de comer algum doce ou salgadinho por lá.

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Travessa do Comércio – Centro histórico do Rio | Az.Wanderlust

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Paço Imperial, Praça XV – Centro histórico do Rio | Az.Wanderlust

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Escadaria Selarón, Lapa e subida para Santa Teresa | Az.Wanderlust

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Confeitaria Colombo – Centro do Rio | Az.Wanderlust

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Interior da Confeitaria Colombo | Az.Wanderlust


2. Pôr do sol no Arpoador

Das praias da zona sul do Rio, Ipanema e Leblon são minhas preferidas. Curto o dia por lá e no final da tarde vou para a pedra do Arpoador ver o pôr do sol. Quem leu meu diário de bordo falando da trilha que fiz ao Morro Dois Irmãos (não leu? clique aqui!), sabe que conheci um casal de portugueses e fomos pra lá depois da praia.

Eu amo ver o sol se pondo no Arpoador e dessa vez fui atenta para escrever algo sobre lá. Como fui com um casal que nunca tinha ido, consegui captar como é ver aquele espetáculo pela primeira vez. Ver a felicidade deles e as palavras de gratidão por presenciarem aquele espetáculo, já diz tudo!

Sou suspeita, porque eu realmente amo aquele cenário. Veja as fotos!

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Chegamos cedo para garantir nosso lugar! | Az.Wanderlust

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Mesmo assim, dá para fazer fotos incríveis! | Az.Wanderlust

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Lotadooooo! | Az.Wanderlust

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E depois de um pôr do sol incrível, temos que bater palmas para agradecer essa maravilha da natureza. Essa foto é um xodó meu, pois acho linda e já consegui um dinheirinho com ela! | Az.Wanderlust


3. Assistir uma peça de teatro

Mas Rayane, por que teatro entra nas 10 atrações imperdíveis?

Ué, porque sim! O Rio é referência em cursos de teatro e tem companhias em cada esquina, se duvidar. E também porque minha prima trabalha com isso. Pra mim, ir ao Rio e não assistir uma peça, é voltar pra casa faltando algo. É como ir a Nova Iorque pela primeira vez e não assistir à um espetáculo na Broadway.

É só abrir o jornal – ou pesquisar aqui na internet – que vai ter alguma peça que você se interesse. Vale super a pena e recomendo! Além de passar algumas horinhas respirando cultura, você corre um grande risco de encontrar algum famoso.

Eu não tenho fotos para mostrar como é legal, porque fico com vergonha de tirar e na maioria das vezes esqueço! Mas se você é mais descolado que eu, tire muitas fotos!


4. Sambar

Essa é um pouco óbvia, porque quem me conhece sabe que adoro um sambinha e também porque o Rio é o lugar do samba. Tenho que ir, pelo menos um dia, em qualquer sambinha na cidade. Tenho os meus preferidos e sempre olho a programação na internet pra ver se vai ter algum show imperdível. Se não tiver, vou no que mais estou com vontade.

Bom, tem samba para todos os gostos. Você acha em quase todos os barzinhos, de qualquer parte do Rio. Vou colocar os mais conhecidos e que já frequentei.

Pedra do sal

O samba acontece toda segunda, faça chuva ou sol. O samba acontece na rua, no pé de uma ladeira e as pessoas se aglomeram em volta da roda de samba, tomando as ruas. Quando comecei a ir lá – há alguns anos – era mais tranquilo e tinha mais cariocas que turistas. Hoje o cenário é outro: mais turistas que cariocas.

Lapa

Quem não conhece a Lapa, pode ir que sempre rola um samba! Quem já conhece, pode ir de novo. Já fui muito pra lá e conheço quase todos os barzinhos. Hoje só vou quando é pra levar algum amigo que ainda não conhece ou quando tem algo interessante. Além do samba, tem muito funk também, claro! O Rio Scenarium (casa de shows) é o local dos turistas, vale a pena ir uma vez, pois o ambiente é super bacana e a música é boa, mas é caro.

Samba do Trabalhador

Também acontece às segundas. Começa à tarde e termina umas dez horas da noite. Já fiz muito a dobradinha “Samba do Trabalhador e depois Pedra do Sal”. É samba de primeira qualidade e vale pra quem gosta de sambar até o pé doer, porque lá ninguém fica parado.

Ensaio de Escola de Samba

São ótimos! Vale a pena pra quem ainda não foi porque a diversão é garantida. Energia boa que renova. Sou mangueirense, mas recomendo de qualquer escola, desde que seja em um local seguro.

Samba Santa Luzia 

Fica em frente ao Aeroporto Santos Dumont e é bem legal. Esse é um que recomendo para quem tem medo de andar no Rio, pois é um local mais tranquilo e um samba de primeira qualidade também.

Barzinho em Santa Teresa 

Para quem gosta de algo mais “tranquilo”, é só ir em um barzinho em Santa Teresa que com certeza lá também vai ter samba!

Tinha a Cobal, mas o pagode de lá acabou! 🙁

Bem, tem samba em qualquer lugar, em qualquer bairro, em qualquer esquina. É só você escolher um e ir! Garanto que você não vai se arrepender.

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Em 2013, a Pedra do Sal já ficava assim… imagina hoje?! | Az.Wanderlust

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Curtindo o Samba do Trabalhador com minha família carioca. | Az.Wanderlust


5. Praias da Zona Oeste

Muita gente acha que a zona oeste é só a Barra da Tijuca e Recreio. Não, não, não! Tenho pela Barra um carinho especial, pois é onde passei a maior parte da minha infância.

Seguindo a orla, você encontra uma praia mais bonita que a outra! Tem a Prainha, Grumari e as Praias Selvagens que ficam na Barra de Guaratiba. Se você tiver um dia sobrando – e tiver disposto – vale a pena dar um pulinho na Barra de Guaratiba e fazer as trilhas (é lá onde fica a famosa trilha do telégrafo).

A Prainha e a praia de Grumari deliciosas e lindas de morrer. Recomendo chegar cedo, pois o estacionamento é pequeno e costuma encher. Se puder chegar para ver o nascer do sol na Prainha, prometo que você verá um espetáculo lindíssimo. Veja nas fotos abaixo!

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Barra posto 6 | Az.Wanderlust

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O pôr do sol na Barra também é sensacional! | Az.Wanderlust

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Grumari, sua linda! | Az.Wanderlust

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Grumari de outro ângulo. Atrás do morro, fica a Prainha. | Az.Wanderlust

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Nascer do sol na Prainha. Acorde cedo para ver esse espetáculo! | Az.Wanderlust

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Bom dia sol! | Az.Wanderlust

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Como não se apaixonar por esse nascer do sol lindo? | Az.Wanderlust


6. Trilhas nos morros

Quer ver o Rio sobre outra perspectiva? Um Rio de Janeiro visto do alto 360º? Um dos jeitos é fazer as trilhas nos morros e se deparar com uma paisagem sensacional!

As trilhas são cansativas sim, mas o esforço vale a pena. Eu já fiz a do Morro Dois Irmãos – conto sobre ela aqui! – e foi maravilhoso! Apesar de não ter conseguido ver o Rio de cima porque uma nuvem insistiu em permanecer lá durante a trilha toda, foi uma das experiências mais incríveis que tive nos meus 32 anos de Rio. Foi maravilhoso e fiz uma promessa de que sempre farei uma trilha quando estiver por lá.

Mas façam sempre com os guias locais. Não invente de subir morro acima sem ter alguém da área por perto. Por favor, imploro que não faça isso! Contrate um guia e fique despreocupado.

Tem algumas trilhas que dá para fazer com os filhos pequenos. É só conversar com o guia antes, que ele te mostrará qual a melhor.

Se quiser saber mais sobre a Trilha Dois Irmãos, que é a trilha que fiz, só clicar aqui! Pode falar para a Ana que fui eu que indiquei!

Não tive tanta sorte e peguei um dia de nuvem no Morro Dois Irmãos =( | Az.Wanderlust


7. Bolinho de bacalhau no Cadeg

Essa dica é fresquinha! Pela primeira vez na minha vida “carioca” comi o bolinho de bacalhau no Cadeg (Centro de Abastecimento do Estado da Guanabara). Fui lá no final de 2016 para comprar as bebidas do Réveillon. E lá mesmo fiquei sabendo do tal bolinho. O moço da loja de bebidas me garantiu que eu comeria o bolinho de bacalhau mais gostoso da minha vida.

Lá fui eu – esfomeada que sou – experimentar. Não tenho palavras para descrever como ele é gostoso! Se pudesse dar uma nota, daria nota mil! O bolinho é caro (R$6,00 na época), mas vale cada centavo. Ele não é grandão, mas comi dois e fiquei satisfeita e feliz da vida! Ele definitivamente entrou na minha lista das 10 atrações imperdíveis na cidade.

Voltei pra casa e fui pesquisar sobre o bolinho. Ele é feito pelo Seu Carlinhos, um português que mantém a tradição até hoje de cozinhar o peixe e fritá-lo no mesmo dia. Se sobrar massa, ele garante que dá para alguém. E no dia seguinte o processo começa tudo de novo.

O melhor bolinho de bacalhau da minha vida – em breve da sua! – fica no Cantinho das Concertinas, Rua Capitão Felix, 110 – rua 16, loja 11 – Cadeg. Várias celebridades já foram lá, incluindo eu! 😀

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Melhor bolinho de bacalhau da vida!


8. Região Portuária

Com a Copa do Mundo em 2014 e, principalmente, com as Olimpíadas em 2016, a região portuária do Rio, conhecida como Boulevard Olímpico, foi revitalizada e trouxe grandes atrações para aquelas bandas.

Vale pegar o bondinho (VLT) no centro histórico e descer na Praça Mauá, para visitar o Museu do Amanhã – fiz um post bem legal sobre lá, só clicar aqui! –, o MAR (Museu de Arte do Rio), o AquaRio (inaugurado em 2016 é o maior aquário da América Latina), o Mural Etnias do artista Eduardo Kobra (entrou para o Guiness Book como maior painel de street art do mundo), a Orla Conde (que vai da Praça Mauá até a Praça XV), a Ilha Fiscal, o CCBB e o Mosteiro de São Bento.

Sou suspeita para falar daquela região, porque amei! Além de tudo o que escrevi aí em cima, ainda tem shows, festas e gastronomia nos armazéns. O Armazém 3 conta com a Arena Banco Original, com teatro, shows, stand up comedy, festas, palestras e gastronomia. Além de uma varanda com uma vista para a Baía de Guanabara sensacional.

Pode ir, porque realmente é imperdível!

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Início do Boulevard Olímpico, saíndo da Praça Mauá. | Az.Wanderlust

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Pequenininho, quase imperceptível perto da imensidão dos armazéns e dos desenhos de Kobra, esse é o Porto do Rio de Janeiro. | Az.Wanderlust


9. Passear pela Lagoa Rodrigo de Freitas e por Ipanema e Leblon

A Lagoa Rodrigo de Freitas é um dos cartões postais da cidade. Vale a pena de dia ou de noite. Ninguém morrerá por tirar uma tarde do roteiro praiano para pedalar na lagoa e depois sentar num barzinho ou restaurante para ver o pôr do sol.

Confesso que não faço isso sempre que vou pra lá, mas sempre que consigo sair da praia um pouquinho mais cedo, vou. Às vezes nem pedalo, mas dou uma caminhada e fico admirando o Cristo Redentor e aqueles prédios lindos que cercam a lagoa.

Sinto paz, sabe? Sinto-me como se o mundo tivesse parado e eu tivesse voltado no tempo. Penso na vida, observo as pessoas, rio dos cachorrinhos e das crianças, vejo a água bater das pedras e respiro o ar carioca. Me faz um bem danado! Além de ter uma das vistas mais lindas da cidade: o Cristo.

Ipanema e Leblon

Quando o metrô ia até a Praça General Osório, em Ipanema, era super fácil fazer isso. Descia na estação e ia a pé por entre as ruas até chegar no Leblon. Sim, dava uma baita caminhada, mas não me importava!

Com o metrô seguindo mais adiante, confesso que a preguiça fala mais alto e já desço na estação perto de onde gosto de ficar na praia. Mas aí eu perco aqueles minutos andando pelas ruas apaixonantes do Leblon e de Ipanema.

Se é para colocar as 10 atrações que eu acho imperdíveis no Rio, não poderia deixar de colocar isso.

Passear por entre as ruelas e sentir a vida da zona sul carioca é o apogeu da minha estada na cidade. Sinto-me como moradora e entro nas lojinhas como se o fizesse todos os dias. São os minutinhos mais “mentirosos” da minha vida, mas me sinto um máximo fazendo isso. No início eu me imaginava nas novelas do Manoel Carlos, mas aí depois tomei gosto pela coisa. É a hora que mais falo carioquêix, puxando o x “merrrrmo”.

Se você não conhece o Rio, caminhe pelas ruas do Leblon e de Ipanema. Mas caminhe com gosto! Observando a vida do bairro e sentindo a energia do lugar. Se você já conhece o Rio, mas nunca fez isso, assim dessa maneira, prometa que o fará da próxima vez e que vem aqui me contar como foi.

Imagina minha alegria quando vi a rua com nome do meu poeta preferido pela primeira vez!!! | Az.Wanderlust


10. Abrir a janela do carro (mesmo que por alguns segundos)

Essa atração imperdível parece nada a ver, mas vou te contar porque a coloquei como meu top 10.

Quando eu era criança, a gente ia de carro de Brasília pro Rio. Demorava uma eternidade porque sempre parávamos em Sete Lagoas, em Minas Gerais, para seguir viagem no dia seguinte.

Eu e minhas irmãs (somos 3 mulheres) perguntávamos “Tá chegando?“, o caminho todo. A resposta era sempre a mesma “dorme que quando você acordar estaremos lá.“. Mas sempre que a gente acordava, ainda estávamos na estrada.

Finalmente, chegávamos na entrada da cidade por quem vem pela BR 040: a famosa Linha Vermelha. Naquele momento, eu já sabia que tínhamos chegado, mas mesmo assim eu perguntava “Tá chegando?“. E meus pais diziam “Sim, chegamos! Estamos na Linha vermelha.“. Então, como que por instinto, abríamos a janela do carro para sentir o cheiro que vinha Baía de Guanabara.

Um cheiro insuportável de tanta poluição, como se vários peixes mortos invadissem o interior do carro. Mesmo assim, inspirávamos profundamente e falávamos em coro “Chegamos na maria fedida.“, e fechávamos rapidamente o vidro.

Por mais que o cheiro fosse um horror, era sinal de que realmente havíamos chegado ao destino. À minha segunda casa. Ao meu refúgio. E aquele fedor, em vez de ser desagradável, passou a ser aconchegante. Hoje a cidade não fede mais como antigamente. Mas o Rio tem o cheiro, que nenhuma outra cidade tem.

Por isso, abra a janela do carro e deixe o cheiro do Rio invadir o seu corpo. Deixe que o Rio passe para você a mesma sensação que ele sempre passou para mim: de ser acolhedor.


11. Bônus

Sei que não tem número 11 no título do artigo, mas não poderia deixar de falar do Cristo Redentor – que me recebe sempre de braços abertos 🙂 –, do Pão de Açúcar – que fica num dos bairros que mais amo, a Urca – e da praça Afonso Pena – que é onde eu realmente me sinto em casa quando vejo a estátua do Tim Maia.


Gostou do meu Rio Top 10? Já fez alguma dessas coisas? E quais os seus lugares preferidos?


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