Não conheci o mundo todo, mas de todos os locais que conheci, Hallstatt é o mais bonito de todos. Começa com a ida, que a gente passa por lugares lindos. E como a minha foi de ônibus/trem/balsa, consegui fazer os três meios de transporte de uma só vez. Ele ficou um pouco mais caro que se tivesse ido de trem direto, mas quis fazê-lo para parar em Bad Ischl.

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[Crônia] Um pequeno paraíso nos alpes austríacos chamado Hallstatt

A volta de Hallstatt para Salzburg foi emocionante. Começou quando desci da balsa para pegar o trem. Estava em frente aos trilhos quando uma senhora de cabelos bem branquinho perguntou:

— É a primeira vez que você vem à Hallstatt?

— É sim! Planejei uma viagem para a Áustria e não poderia deixar esta cidade de fora. Ao vivo, é muito mais incrível que nas fotos. — respondi. — Você fez a trilha para ir à mina de sal? — perguntei. A vi quando desci da balsa, enquanto ela caminhava na minha frente. O que me chamou a atenção, foi a mochila nas costas e aquele trequinho que dá apoio ao corpo durante as trilhas balançando. Somado ao fato de que ela parecia ter mais de setenta anos.

Ela olhou nos meus olhos e deu uma bela gargalhada. Depois respondeu:

— Fui! É a terceira vez que visito a cidade e a segunda vez que fiz a trilha. Você gosta de viajar? — ela perguntou.

— Sou apaixonada! Por mim, viajaria todos os meses. — respondi.

— Eu também. São setenta e cinco anos de estrada. Não todos os dias, mas quase todos os meses. — ela respirou fundo e continuou — Sabe, sinto uma paz quando viajo e vejo que você também está em paz.

Olhei profundamente nos olhos daquela senhora por alguns segundos. Minha visita à Hallstatt passou pela minha mente, principalmente quando entrei na igreja católica e rezei.

Suspirei e disse:

— Sim, realmente estou em paz.

O trem chegou e não mais a vi. Nem deu tempo de tirar uma foto e guardar para a posteridade. Talvez, algum dia esqueça-me de seu rosto, porém, jamais me esquecerei daquele encontro.

Passei toda a viagem de trem pensando no que ela disse. Sobre a paz, sobre a vida e sobre querer ser igual a ela quando chegar aos meus 75 anos.

Desci em Bad Ischl e já avistei o japonês que virou meu fotógrafo durante a viagem. Embora as fotos não ficassem legais, foi divertido encontrá-lo em todos os pontos turísticos de Hallstatt. Ele se aproximou de mim e perguntou:

— Você comprou seu bilhete de volta?

— Ãhn? — ainda estava desorientada pensando no que a senhora disse, que não entendi o que ele perguntou.

— O bilhete do trem. A volta.

— Nossa, esqueci completamente! Fiquei de papo com as senhoras, que nem me lembrei de comprar a volta. Ai, não acredito isso. — digo inconformada e com vergonha.

— Eu comprei o meu no último segundo, pois umas meninas me avisaram. Também tinha esquecido. Mas você teve sorte que o fiscal não passou.

— É, tive mesmo! Ia pagar uma bela multa! — disse. Como esqueci-me disso? Sempre sou atenta à essas coisas e nunca tinha esquecido. Agradeci mentalmente por não ser pega. Imagina se tivesse sido? Nem sei qual seria o valor da multa e provavelmente nem teria esse dinheiro comigo.

Subi no ônibus e fui para Salzburg.

— Olá! Como foi seu dia? — a simpática moça do hotel perguntou. A conheci na noite anterior. Ela tinha uns 16 anos e estava ajudando a avó a cuidar do hotel. Ainda não falava muito bem inglês e ficamos conversando para ela praticar (e eu também).

— Fui para Hallstatt. Lugar sensacional. O mais bonito que já vi. — respondi.

— Não conheço essa cidade. Fica onde? — surpresa e com dificuldade de falar em inglês, ela perguntou.

— Como você não conhece Raustat? Fica perto daqui e é um dos locais mais visitados da região. Acho que você conhece sim. — peguei um papel e escrevi o nome da cidade.

— Ahhh, Rauxxxtáti! Conheço sim! — ela respondeu forçando o alemão de nascença.

— Isso, Rauxxxtáti. Raustat. Ausltat. Não sei como se pronuncia em alemão.

— Como você pronuncia? — ela perguntou.

— Raustat. — disse.

Então, ela pronunciou dezenas de vezes em voz alta.

— Como é em alemão? — perguntei.

— Rauxxxtáti. – ela disse.

Percebi a diferença na hora. E fiquei intrigada poque ela não entendeu que Raustat é a mesma coisa que Rauxxxtáti. Se eu achava holandês difícil (veja aqui!), agora tenho certeza que alemão é mais!


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Esses foram três dos inúmeros acontecimentos inusitados sobre Hallstatt. A senhora de cabelos brancos

foi a que mais me emocionou. Realmente, visitar a cidade me deixou em paz. Hallstatt tem dessas coisas, ao mesmo tempo que deixa nossos olhos brilhando, deixa nosso coração em paz.

"O que fazer Hallstatt"

São umas fofas, né? | Az.Wanderlust

O roteiro que fiz você encontra aqui. Vou deixar esse artigo para falar sobre o que aconteceu comigo lá.

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As surpresas de Hallstatt

 

Bad Ischl e o Japa

Bad Ischl não tem nada demais para visitar, mas eu adorei ficar alguns minutos por lá. Foi lá que conheci o japonês. Não lembro se perguntei o nome dele, mas sempre o chamava de Japa. O conheci porque estava sem trocado para comprar o bilhete do trem e ele trocou para mim (leia aqui como chegar em Hallstatt). Então iniciamos uma conversa e aproveitei para pedir para ele tirar fotos minhas na linha do trem. Poxa, ele é japonês. Tem as melhores tecnologias. Deve saber tirar foto.

Que nada! Era péssimo! Mas, como nos encontramos em todos os locais – acho que ele estava me “seguindo” – e ele insistiu para tirar fotos de mim – com a minha máquina – deixei. Então saiu esse book aí debaixo. A gente tirou uma foto de nós dois, mas no celular dele e nunca a tive.

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Os encantos de Hallstatt

Antes de chegar na vila, já sabia que seria uma experiência incrível! Tanto é que mal consegui dormir, por causa do frio na barriga que senti durante a noite.

Descer do trem e pegar a balsa, já fez meu coração pular de alegria. Tem como não se apaixonar por um cenário assim?

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A ideia inicial era ir direto para a mina de sal e fazer o tour guiado. Segui rumo à bilheteria, mas desisti no meio do caminho. Dava um passo e parava para ver os detalhes, respirar o ar puro, olhar a paisagem. Mudei de ideia e resolvi deixar a mina para outra vez. Como o passeio dura cerca de 4h e cheguei em Hallstatt às 11h, fiquei com medo de passar mais tempo dentro da mina que passeando pela cidade.

A última balsa sai antes de escurecer, não queria arriscar. Só que, na primavera, escurece às 20, 21h e tinha esquecido deste detalhe. Hoje me arrependo de não ter feito. É mais um motivo para voltar.

Caminhei sem rumo, entrei em todas as ruelas e subi todas as escadas que vi. Apaixonei-me mais de uma vez. É sensacional! Nenhuma foto revela como é aquele lugar! Só me arrependo de uma coisa: ter colocado a Áustria apenas como um país no meio do meu roteiro.

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Sabia que o país é incrível, mas tive certeza quando passei por lá. Fiquei uma semana e foi pouco. Queria ter ficado um mês, sério! Para visitar todos os vilarejos dos alpes (ou os que conseguisse). Fazer uma roadtrip seria o ideal. Fica a dica!


Como encontrei paz em Hallstatt

Hallstatt por si só – apesar de ser lotada de turistas orientais – já emana paz. A vila parece ter parado no tempo, enquanto é completamente vívida.

Hallstatt é daqueles lugares que mesmo cheio de gente, é possível se desligar. Daqueles locais que você vê as pessoas, mas não olha. Apenas sente. Daqueles que são super turísticos, mas que não é preciso “brigar” para tirar foto do melhor ângulo. Hallstatt é pequena e fazer tudo a pé é mais que prazeroso.

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Até a Capela dos Ossos é charmosa! | Az.Wanderlust

Deixei a igreja católica por último. Não sei ao certo porquê. Mas foi a melhor coisa que fiz. Tinha acabado de tomar um chocolate quente em um dos cafés que tem por lá e subi as escadas. Cansa um pouco, mas nada de hard level.

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Então cheguei à um jardim. Olhei a paisagem e fiquei boquiaberta. Só que na verdade, não era um jardim. Era o cemitério! Quem não gostaria de repousar seu corpo por lá? Olha que paz!

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Entrei na igreja e surpreendentemente senti-me bem. Não que eu passe mal ao entrar em igrejas, mas a de lá foi especial. Sentei-me no banco de madeira e conversei com Deus. Não sei ao certo quais foram as minhas palavras, só sei que chorei, ri e sorri. Quem estava por lá, deve ter estranhado. Pouco me importei…

Então saí de lá renovada. Veja como é o interior da igreja aqui!


As coisas em Hallstatt são caras?

Sim, muito! Pode quebrar muitos orçamentos se não planejar direito. Água, café, comida são mais caras que em outros locais, mas se você for organizado e tiver deixado uns trocados a mais para lá, é tranquilo.

As igrejas são gratuitas e não é preciso consumir para sentar nos restaurantes, embora seja de bom grado.

Consegui passar um dia por lá gastando 70€ contando com as passagens, comida, lembrancinhas, água e meu chocolate quente que não vivo sem. Tentei passar a noite lá, mas fugia demais do meu orçamento.


Mais fotos… porque foto de lá nunca é demais!

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Marktplaz | Az.Wanderlust

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Vista das casinhas ao pé do morro quando se chega de balsa. | Az.Wanderlust

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Uma das poucas ruas que se passa carro. | Az.Wanderlust

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A igreja católica é essa cinza à esquerda na foto. | Az.Wanderlust


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