No artigo EcoBocaina: uma opção de turismo rural em Goiás (leia aqui), conto que a Fazenda Bocaina tem várias opções de trilhas que passam por mirantes sensacionais e que levam a cachoeiras de água mineral incríveis!

Dentre elas, comecei a caminhada pelo Desafio da Bocaina, no qual não completei por motivos de saúde. Teimosa como sou, não desisti tão facilmente e – depois que o mal-estar passou – enfrentei outro desafio, o Desafio do Camaleão. Este desafio tem 4 km e segue ladeira abaixo.

Confira como foi essa experiência na Fazenda Bocaina e como transformei uma dificílima trilha em uma deliciosa prosa e como superei todos os meus limites.

Trilha do Camaleão - EcoBocaina - Desafio do Camaleão


O desafio do desafio

— Estou passando mal. — disse aos companheiros de trilha.

Não passou uma hora de trilha quando senti minha vista embaçar.

— Quer comer algo? Beber água também ajuda. — alguém disse.

Parei, agachei e fiz pressão sobre minha cabeça para ver se o sangue circulava melhor. Sentei sobre a pedra e respirei profundamente. Comi coco, bebi água e fiquei alguns minutos descansando. O mal-estar não passou. Em alguns minutos, tinha de decidir se largaria a toalha e desistiria de fazer a trilha ou se enfrentaria aquela tontura e seguiria os 7 ou 6 km restantes.

Meu corpo estava fraco. Mal conseguia movimentar as pernas. Caminhei com dificuldades, até encontrar o restante do grupo.

— Luiz, não vou continuar a trilha. Sinto-me mal e tenho receio de piorar. — disse ao guia. Estava inconformada com minha decisão, mas sabia que era sensata. Não queria desistir, mas sabia que se continuasse poderia ser pior.

Não acordei cedo e viajei 70 km para desistir logo no início. Mas não estava bem. Será que não me alimentei direito? Será que estou tão fora de forma? Um turbilhão de pensamentos passou pela minha cabeça.

Não me deixaram voltar a pé. A preocupação era que eu passasse mal no meio do caminho e estaria sozinha. Luiz, o nosso guia, passou o rádio para o pai:

— A Rayane está passando mal. Precisamos do resgate. Estamos no Muro Colonial.

Entrei no carro, completamente inconformada!

Preciso melhorar! – disse em pensamento.

Niraldo, o senhor que dirigia o veículo, foi conversando comigo. Contou-me algumas curiosidades sobre a fazenda. Aos poucos, fui me acalmando. Cheguei na sede da empresa e logo peguei meu sanduíche. Precisava comer. Precisava melhorar.

Para me distrair, continuei a prosa com o proprietário. O mesmo senhor que me resgatou. Homem simples e entendido. Inteligente e falador. Acolhedor e responsável. Simpático e completamente apaixonado pelo que faz.

O Senhor Niraldo contou-me a história da Fazenda Bocaina. Tudo começou há 30 anos. Andei para lá e para cá seguindo seus passos e atenta a tudo que ele explicava. O mal-estar foi passando, aos poucos.

De período em período, Luiz passava o rádio ao pai informando onde os outros trilheiros estavam. Minha vontade de estar com eles era enorme. Apesar da interessantíssima história contada por Niraldo, sentia-me desapontada por não ter conseguido cumprir o Desafio da Bocaina. Afinal, foi para isso que fui até lá.

Perguntei-lhe sobre as outras trilhas. Se havia alguma mais rápida para chegar nas cachoeiras. Ele disse que sim e perguntou se eu gostaria de conhecer.

— Sinto-me melhor. Acho que agora consigo encarar a mata de novo. Pelo menos, poderei conhecer as cachoeiras, tomar um banho e dizer que conheci além da sede. — disse rindo.

A verdade é que eu estava bem melhor e queria realmente explorar o local. Sentir a natureza, tomar um banho de cachoeira. Respirar a Bocaina.

— Tem uma trilha de 4 km que leva direto às cachoeiras. Saindo daqui a alguns minutos, será possível encontrar o pessoal que saiu mais cedo. — Niraldo disse.

— Ótimo! — disse enquanto reorganizava as coisas dentro da mochila, pronta para partir.

— Espere só um minuto. Vou comer um miojo e te levo até lá. — Niraldo disse.

Alimentada, segui o Senhor ladeira abaixo rumo às cachoeiras. O desafio do desafio começou. Troquei o Desafio da Bocaina pelo Desafio do Camaleão.


EcoBocaina - Desafio do Camaleão

Desafio do Camaleão

O Desafio do Camaleão é um percurso de 4 km. Mas não se engane, ele não é fácil não! São 4 km de descida e subida em terreno instável. Praticamente uma escadaria, onde os degraus são as próprias pedras construídas pela natureza.

Conforme você leu na crônica acima, minha saúde já tinha melhorado e eu estava certa de que encontrava-me disposta a trilhar um novo desafio. Sabia que exigiria o máximo do meu esforço, mesmo assim queria superar meus limites. E também, porque queria conhecer de verdade a região que ouvira através das histórias do Senhor Niraldo.

A descida do Desafio do Camaleão

A descida da trilha começa um pouco depois da entrada da sede da Água Mineral Buriti. Como o objetivo era encontrar-nos com os outros trilheiros que haviam começado a trilha mais cedo – a mesma que abandonei – descemos direto, sem parar no mirante.

Por ser um vale, a descida é bem íngreme, mas a estrutura facilita esse deslocamento. O que antes era feito escalando, hoje pode ser feito apoiando-se nas cordas e descendo as pedras uma por uma.

A subida do Desafio do Camaleão

Tem um ditado que diz: tudo que desce, sobe. Como ainda não inventaram o teletransporte, depois de conhecer as cachoeiras e recuperar o fôlego, é preciso subir para voltar.

O percurso de volta é o mesmo da ida. Só que, como para baixo todo santo ajuda, para cima você precisa da força da perna mesmo. E haja perna! Mas não se preocupe, tem pontos de descanso no meio do caminho.

Sr Niraldo, por ser o cavalheiro que é, respeitou meu ritmo e fez várias pausas no caminho. Aproveitei para perguntar-lhe mais curiosidades sobre a fazenda. Aprendi sobre a fauna e flora e fiquei encantada com o conhecimento global que ele possui.

Novidade: o EcoBocaina está construindo um novo caminho para a volta do Desafio do Camaleão. Será uma escadaria na lateral da Cachoeira das Palmeiras. No entanto, as etapas ainda estão sendo feitas e cada degrau sendo construído. Acredito que quando estiver pronto, facilitará um pouco o percurso.

As cachoeiras da Fazenda Bocaina

Atualmente, são quatro cachoeiras que visitamos, embora inúmeras outras existam na região. O Sr. Niraldo me contou que, por causa do difícil acesso, algumas cachoeiras não entram no percurso. Quem sabe, daqui a alguns anos tenhamos novos trajetos?

Como as nascentes das cachoeiras são na própria fazenda, o local torna-se ainda mais incrível! A água é transparente e pode ser consumida. A temperatura da água é gelada, mas nada congelante, sendo possível entrar e se refrescar tranquilamente.

Poço dos Gringos
Desafio do Camaleão - Poço dos Gringos - EcoBocaina

Poço dos Gringos. Meu querido cunhado se refrescando na cachu. Delícia! | AzWanderlust

É a primeira cachoeira que visitamos na expedição. O nome Poço dos Gringos é uma homenagem aos pesquisadores de estrangeiros que descobriram a cachoeira enquanto estudavam a região. É um local ideal para banho. A queda d’água é pequena, mas nem por isso deixa de ser charmosa.

Peroba Rosa
Desafio do Camaleão - EcoBocaina

Cachoeira Peroba Rosa. Olha a escadinha que temos que subir para chegar nas outras cachoeiras. | AzWanderlust

A segunda é a Peroba Rosa. Nesta não há poço, mas dá para encostar no paredão e fazer uma deliciosa hidromassagem. Depois da massagem, que tal subir a rampa/escada ao lado e chegar em mais duas lindas cachoeiras?

Cachoeira dos Reis Magos
Desafio do Camaleão - Cachoeira dos Reis Magos - EcoBocaina

Cachoeira dos Reis Magos | AzWanderlust

Subindo a rampa, chegamos na Cachoeira dos Reis Magos. O Sr. Niraldo contou-me que o nome veio porque a cachoeira foi descoberta no dia 6 de Janeiro, dia dos Reis Magos. Esta cachoeira também não tem poço, mas dá para chegar bem perto da queda d’água e receber uma ducha gelada e refrescante. Outra curiosidade é que olhando para a cachu, dá para ver que ela parece um losango, conseguiu ver?

Cachoeira das Palmeiras
Desafio do Camaleão - Cachoeira das Palmeiras - EcoBocaina

Cachoeira das Palmeiras

Subindo na lateral da Cachoeira dos Reis Magos, chega-se na Cachoeira das Palmeiras. Duas quedas encostadas no paredão. Essa é a maior queda que vimos. Também não há poço, mas os respingos da água já são suficientes para fazer molhar a gente.

Tome bastante cuidado para não escorregar durante a subida e descida entre as cachoeiras dos Reis Magos e das Palmeiras.

Mirante Desafio do Camaleão

Na volta, paramos no Mirante do Desafio do Camaleão. É um baita ponto de apoio para descanso e para apreciar a vista.

Desafio do Camaleão - EcoBocaina

Mirante Cachoeira das Palmeiras | AzWanderlust


Informações úteis sobre o Desafio do Camaleão

  • Quem pode fazer a trilha? Pessoas com bom preparo físico. A idade mínima é de 12 anos.
  • Onde começa e termina a trilha? Na seda da Água Mineral Buriti.
  • Grau de dificuldade da trilha? Difícil. Percurso de descida de subida íngreme.
  • Precisa de guia para fazer a trilha? Não. Ela pode ser autoguiada.
  • Qual a duração do passeio? 4h, sendo 2h30 de percurso e 1h30 para banhos e contemplação.
  • Distância da trilha? 4,0 km
  • Preço da trilha? R$ 35,00
    • Itens que estão incluídos: taxa de entrada da fazenda Bocaina e seguro básico (todos os visitantes têm seguro, feito pelos proprietários);
    • Itens que não estão incluídos: traslado, guia, lanches, bebidas e almoço;
  • Qual o horários de saída? de 8h30 às 12h30
  • Quais os dias de funcionamento? Sábados, Domingos e Feriados. Outros dias, com agendamento prévio.

Agradeço o convite do EcoBocaina, em especial ao Sr. Niraldo e ao Luiz Guilherme pela recepção. Este post é uma parceira do EcoBocaina com o projeto Vem pro Cerrado, no qual o AzWanderlust faz parte como membro fundador.

Vem pro cerrado, brasília, selo fundador, rbbv

Conheça o projeto Vem pro Cerrado, clique aqui!


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Trilha do Camaleão - EcoBocaina